”Diz-me algo e esquecê-lo-ei. Ensina-me e recordá-lo-ei. Envolve-me e aprendê-lo-ei.”
Jogar e aprender andam de mãos dadas. Quando estamos ativamente envolvidos num jogo, a nossa mente sente o desejo de compreender o funcionamento de um novo sistema.
No meu artigo anterior falei sobre a necessidade de procurar novas abordagens para a difícil tarefa de fazer com que os processos de formação e sensibilização em segurança da informação produzam mudanças de comportamento genuínas nos utilizadores finais, e mencionei o uso da ludificação como estratégia para aumentar a motivação durante esses processos.
Hoje quero apresentar dois conceitos novos que muitas vezes são confundidos com ludificação: a Aprendizagem Baseada em Jogos (Game-Based Learning ou GBL) e os Serious Games.
Ludificação, aprendizagem baseada em jogos e serious games
Enquanto a ludificação implica utilizar elementos motivadores que incentivam a competição entre os utilizadores, o GBL consiste, diretamente, em apresentar os conteúdos de um processo de formação através de um videojogo. Ou seja, a primeira técnica implica retirar elementos de jogos e inseri-los no processo de formação, ao passo que na segunda é a pessoa que é transportada para o ambiente do jogo para alcançar um objetivo educativo.
Os processos de GBL geralmente andam de mãos dadas com os chamados Serious Games, uma caracterização aplicada aos jogos cujo objetivo principal não é o entretenimento, mas que foram criados com outra finalidade, como gerar consciência sobre um determinado tema ou ensinar.
O que podemos aprender com um videojogo?
O caráter educativo dos videojogos não é novidade; a sua utilização neste âmbito remonta a muito tempo atrás. Um jogo bem concebido pode transportar-nos para um mundo virtual que nos parece familiar e relevante, o que é motivador porque é fácil ver e compreender a ligação entre a experiência de aprendizagem e a vida real.
Dentro de um processo eficaz de aprendizagem baseada em jogos, a pessoa trabalha para se aproximar de um objetivo, escolhendo ações e experimentando as suas consequências. Pode cometer erros num ambiente livre de perigos e, através dessa experimentação, aprender e praticar a forma correta de fazer algo. Isto mantém-na altamente motivada para ensaiar comportamentos e processos de raciocínio que podem transferir-se facilmente do ambiente simulado para a vida real.
Jogar para aprender sensibilização em segurança
Na área da segurança da informação, embora a lista ainda não seja muito extensa, já existem alguns videojogos orientados para a formação de utilizadores finais. CyberCiege, picoCTF e Hackend são alguns exemplos que ilustram a variedade de tópicos e os diferentes géneros que podem ser abordados.
Embora ainda não existam estudos rigorosos que meçam com exatidão o efeito destes jogos nos utilizadores finais, a sua inclusão nas campanhas de sensibilização resulta numa diminuição de hábitos inseguros nesses utilizadores.
Conclusão
Os videojogos demonstraram ter um grande potencial como ferramentas educativas. A aprendizagem baseada em jogos procura aproveitar essas capacidades, utilizando serious games para transmitir conhecimentos, e é um processo através do qual é possível alcançar mudanças de comportamento profundas nas pessoas.
Embora ainda haja um longo caminho a percorrer no uso de videojogos como ferramentas para formação em sensibilização em segurança, o seu uso é certamente uma tendência e a quantidade de jogos disponíveis é cada vez maior. Vale a pena estar atento e começar a conhecer as alternativas que possam ser úteis para abordar determinados tópicos. Então, animas-te a incluir estes videojogos nos teus programas de formação?
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